Happy Days, aquela peça do Samuel Beckett com a mulher no primeiro acto enterrada até à cintura e no segundo acto enterrada até ao pescoço. Beckett disse que a chave de Happy Days era a pausa. Dito em inglês fica melhor «The keyword of the play». A palavra-passe. A palavra «pausa». A pausa é o tal silêncio entre dois barulhos de que falava Manoel de Oliveira. Aparece no texto 612 vezes. E na versão francesa tem metade da duração que na versão inglesa. Ou seja, Samuel Becket traduziu o tempo para francês. Há uma tradução nova de Happy Days, levada genialmente a cabo pelo músico João Paulo Esteves da Silva, o autor do disco «Memórias de Quem». Esta tradução Vais estar algures em cena em Novembro não sei bem quando nem onde, encenada pelo Bruno Bravo, com Raquel Dias e Gonçalo Amorim. Como será a pausa traduzida para português?

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