entre dois barulhos

Agosto 15, 2008

Fátima Campos Ferreira, de microfone na lapela, a perguntar ao quase quase centenário Manoel de Oliveira, a perguntar não, a dizer, a afirmar, a dizer, O mestre trabalha muito o silêncio nos seus filmes. Só então sim, a perguntar, O silêncio é para si muito importante?

- Um silêncio está entre dois barulhos, senão é a morte, responde o perguntado, de microfone em punho porque não tinha de lapela.

Se um barulho cede à frente, digo eu agora, entorna-se o silêncio para cima da morte, se cede atrás, entorna-se o silêncio para cima da memória.  Isto se o tempo for uma linha. Sem os barulhos não há linha. Banho de silêncio.

Entre dois barulhos toda esta coisa muda, porque nada morre, tudo muda. Ou então, tudo morre precisamente porque tudo muda.

Seja como for, vejam bem, toda esta coisa muda, toda esta coisa muda, entre dois barulhos.

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